O método Científico – O questionário

A comunidade científica é responsável pelo saber e o investigador um produtor de saber. Partindo de uma ideia, de um pressuposto ou mesmo de uma dedução a partir da observação de uma qualquer realidade, o investigador (científico) tem que testar, “fazer prova” desse seu “pensar”.

Há pelo menos três grandes etapas de trabalho pelas quais deve passar esse “ processo”:

  • Busca da literatura já publicada sobre o assunto com a respectiva verificação/ compreensão do que foi feito pelos outros investigadores
  • Perante os resultados verificados “ (re) aplicar ao caso” em estudo a teoria/grelha verificando a aplicabilidade da mesma.
  • Publicar os resultados, a base teórica dos mesmos e o resultado das experiências com prova da sua fiabilidade.

De notar que

  • O facto de os resultados não serem os esperados aquando do início do estudo não lhe retira mérito nem validade.
  • Convém sempre mostrar o “modus operandi” pois uma “ experiência deve poder ser reproduzida por outros até com vista a melhoramentos e novas descobertas.
  • A troca de informações é a base da pesquisa moderna.

A técnica do questionário

Uma das técnicas de  recolha de    informações (observação extensiva) é precisamente o questionário e que procura representar todas as componentes da amostra seleccionada anteriormente. A  elaboração de um ou vários questionários implica algum cuidado e rigor porquanto este deve traduzir  fielmente as opiniões das pessoas interrogadas e as perguntas colocadas devem dar  às pessoas a oportunidade de  exprimirem as atitudes e opiniões  relevantes para o entendimento dos seus comportamentos. A  natureza das perguntas bem como a  sua forma de redacção e  de  sucessão são de primordial importância  para os resultados da sondagem. A precisão da resposta do  entrevistado deve pois ser previamente controlada pelo investigador aquando da elaboração da mesma.

Natureza das perguntas

Podem utilizar-se:

  • perguntas fechadas em que se prevê apenas a resposta de «sim» ou «não», ou uma ou duas respostas alternativas;
  • perguntas abertas, em que o interrogado pode responder sem estar sujeito a nenhuma alternativa;
  • prever para a pergunta uma série de respostas entre as quais o interrogado deve escolher a que corresponde à sua ideia.

Qualquer destas técnicas fornecerá decerto dados/resultados diferentes.Geralmente um questionário compreende perguntas de diferentes tipos conforme os temas tratados e há mesmo questões elaboradas expressamente para controlar por comparação a fidelidade das respostas.

Ordem das perguntas

Quanto à ordem, as perguntas devem ser dispostas de forma a evitar que suscitem reservas ao entrevistado e que as respostas a algumas delas  venham a influenciar as respostas dadas às perguntas seguintes. É, por tal aconselhável dar início ao  questionário com “algumas perguntas sobre factos que possam ser respondidos sem a pessoa se sentir demasiado comprometida e repartir cuidadosamente as perguntas de forma a manter afastadas umas das outras as que sejam susceptíveis de contágio”.(Fernandes1995).

Número de perguntas

O número de perguntas  deve ter em conta  a receptividade do público a que se dirige. Não deve  por isso ser muito elevado  de forma a que o entrevistado, que responde mais dificilmente e pior às últimas perguntas, não fique fatigado.

Aplicação do questionário

A  sua aplicação que pode ser feita segundo dois métodos:

  • Apresentação directa do questionário que é preenchido pela(s) pessoa(s).
  • Apresentação por inquiridor que retoma verbalmente as perguntas  e preenche o questionário.

Vantagens/inconvenientes

  • O primeiro método (envio do questionário pelo correio) tem o inconveniente de uma grande percentagem dos inquiridos não responder e de que pelo facto de  as respostas serem pensadas e ponderadas, as mesmas perderem espontaneidade.
  • O segundo método, ( um entrevistador lê as perguntas do questionário, explica-as aos inquiridos e anota ele próprio as respostas) tem como inconvenientes o facto de  introduzir a interpretação pessoal do entrevistador que pode pelas suas preferências  influenciar as respostas  e o facto de o entrevistador  ser objecto de desconfianças diversas por parte dos inquiridos.

Referências

Fernandes,António José; Métodos e Regras para a elaboração de trabalhos académicos e científicos; Porto Editora 1995

Sarmento, Manuela; Guia Prático sobre Metodologia Científica…2ª Ed; Universidade Lusíada Editora; Lisboa 2008

About these ads

~ por mpeltmvcr em 18 de Novembro de 2009.

Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s

 
Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

%d bloggers like this: