Pesquisa científica em Educação – uma abordagem no tempo

SFY016 Rigor e qualidade foram desde sempre, não sem uma razão de ser evidente, uma preocupação da pesquisa científica e dos métodos a utilizar.
Não houve porém sempre consenso a tal respeito, e, muitas vezes com base na diferente natureza das ciências, se optou pela adopção de uma metodologia  diferente. De qualquer forma Ciências humanas e sociais e a ciência propriamente dita, principalmente pelo carácter objectivo da segunda relativamente às “nuances” a que a natureza humana obrigava, distinguiram-se nas metodologias adoptadas.
A educação, com toda a componente humana que lhe está inerente será, a atender ao ponto de vista citado, uma das ciências em que a questão do rigor científico se colocará com maior acuidade.
A evolução nas abordagens metodológicas que se verificou ao longo dos últimos anos merece a nossa atenção precisamente porque demonstra como estamos perante uma questão extremamente dinâmica.
Assim enquanto nos anos 60-70, os estudos se debruçavam sobre “a análise das variáveis de contexto e o seu impacto sobre o produto, nos anos 80 vão sendo substituídos pelos que investigam sobretudo o processo.”1 Dava-se maior atenção ao quotidiano escolar e o enfoque dirigia-se mais ao currículo propriamente dito. Já nos anos 80 a preferência vai para a multi/trans e interdisciplinaridade pois a pesquisa baseia-se muito em questões ligadas à psicologia, sociologia, antropologia, filosofia e linguística e história que passam a ser vistos como fundamentais para o entendimento dos problemas da área da educação.
Como resultado desta nova abordagem surge uma metodologia mais “qualitativa” mais englobante e heterogénea nos métodos e técnicas de análise passando inclusivamente a incluir “ histórias de vida” como elemento determinantes na análise e ponderação. Na década de 90 encontramos assim o “real” – quer da sala de aula quer do próprio pesquisador – como uma das principais “ fontes” do pesquisador que chega mesmo a recorrer à colaboração de participantes. A troca de experiências e estudos entre investigadores passa pois a ser prática comum.
Toda esta abordagem “ histórica” nos remete para a complexidade da questão primordial em qualquer área de investigação e para esta em particular: “ O que é uma boa pesquisa em educação?”

1 Em, P., & Buscando, E. (n.d.). Pesquisa em educação: buscando rigor e qualidade, 51-64

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~ por mpeltmvcr em 27 de Outubro de 2009.

Uma resposta to “Pesquisa científica em Educação – uma abordagem no tempo”

  1. O que é uma boa pesquisa em Educação. É mostrar o seu entendimento de como lidar com o ser humano e apontar novos caminhos de sua independencia.

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